Admiração por Sonia, presidente do Lar Mãe Divino Amor

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UMA VIDA DEDICADA AO PRÓXIMO. Encontrar Sonia Regina Senatore, a Dona Sonia, não é a tarefa mais complicada. É fácil descobrir onde ela está e a que se dedica, quase sempre. O desafio é encontrá-la com tempo livre no dia a dia. Afinal, ela administra o Lar Mãe Divino Amor (LEMDA), uma instituição de 35 anos de história, referência no atendimento de deficientes intelectuais e portadores do Transtorno do Espectro Autista.

Não é a rotina na qual se presuma encontrar muitos momentos de descanso. Mesmo assim, é sempre com alegria e boa vontade que ela recebe e apresenta aos visitantes cada cantinho desta construção.

O início de uma missão

O LEMDA, que fica pertinho do Shopping Anália Franco, tem como um de seus fundadores Dona Sdnia. E essa história começou sem muita pretensão de grandeza. Sonia e seu marido, Moacyr, faziam parte de um grupo ligado à Paróquia do Bom Parto que ajudava outra casa para meninas portadoras de deficiência intelectual.

Todavia, algumas dessas meninas tinham necessidades especiais que residência não podia atender e corriam o risco de serem transferidas para a Febem. Eles, então, decidiram tomar uma atitude para ajudá-las. Incentivados pelo Bispo Dom Luciano Mendes de Almeida, resolveram alugar uma casa.

Passado algum tempo, a casa para 11 meninas duplicou e passou a receber meninos. Hoje, são 20 mulheres e 20 homens em quatro casas separadas. Alguns deles estão sob os cuidados da instituição desde o início, em 1982.

Depois veio a escola, a clínica, mais atendimentos, chegando hoje a 1800 pessoas de toda a grande São Paulo. “É impressionante o progresso que estas crianças têm”, afirma com carinho de mãe.

O LEMDA é, talvez, um outro filho que eu tenho.

Sonia Regina Senatore

Uma trajetória desafiadora

De início, Sonia e os outros membros do grupo não tinham contato com portadores de deficiência, o que custou muito esforço, aprendizado e dedicação para que cada lacuna fosse preenchida.

Aos poucos, com uma ajuda de Dom Luciano e da Igreja, ampliaram e galgaram o sucesso atual. Aos poucos, descobriram mais necessidades de tratamentos e buscaram profissionais nas áreas de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outras.

Enquanto o lar crescia, aumentava a vontade de Sonia atender a quem precisava. Cada passo dado encontrou nela e em sua família a força motriz para continuar o projeto. Assistente social de formação, ela trabalhou na vara da infância e se especializou em portadores de deficiência. Em 2017, aposentada depois de anos de serviço à APAE, dedica quase todo o seu tempo ao LEMDA. “É por isso que a minha vida é um agito”, comenta, assumidamente incansável.

Puro orgulho

“Eles se comportam maravilhosamente bem onde vão”, afirma Sonia com orgulho. “Um dos meninos vem da Freguesia do Ó todos os dias. Certa vez, o pai estava chorando aqui em frente. Ele disse que havia visto pela primeira vez na vida o filho autista carregando alguma coisa: pegou a mala da escola e entrou sozinho pela porta. Ele chorou e eu chorei junto.”.

As crianças e os adolescentes da escola, assim como os pacientes da clínica, são normalmente encaminhados pelas Secretarias de Saúde e Educação, com as quais o LEMDA mantém parceria. Já os 40 residentes, em sua maioria, não têm vínculos com os familiares e contam com os cuidados dos funcionários em tempo integral.

Sonia logo se acostumou a estar sempre alerta às necessidades dos residentes. “Às vezes a gente está fazendo outra coisa e precisa largar e vir correndo para cá”. Mas todo o esforço, para ela, traz satisfação. Dedicação que vem naturalmente para quem vê nisso a sua missão na vida.

“A vida emocional é um desafio. Eu tenho muito a agradecer por tudo de bom que Deus me deu, e acho que eu tenho dar o meu trabalho em troca. Um trabalho feito com muito amor”, considera Sonia. E quanto amor cabe em uma mulher só!

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