Negócios Inspiradores: a tradição e a história do Bar do Berinjela

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Ano novo, vida nova. Os desejos para o novo ciclo, para quem empreende, sempre giram em torno de sucesso e mais vendas. Mas há quem pense além do lucro: fidelizar clientes, realizar sonhos e ajudar a construção de um mundo, pontos que estão nas metas de alguns negócios de sucesso. Então, procuramos duas ideias de negócios que são referências na região do Jardim Anália Franco e Tatuapé e fomos verificar como seus idealizadores veem  a importância do trato personalizado com o cliente e como os produtos oferecidos com afeto alcançam o sucesso. Sente, que vem boas histórias!

Família “Berinjela”

            Se você mora pela região do Tatuapé, é grande a chance de já ter saboreado os bolinhos ou as berinjelas à parmigiana do Bar do Berinjela. O negócio familiar começou em 1964 e traz como característica o clima aconchegante aos clientes. “Tudo é feito com muito carinho; a comida é sempre fresquinha, feita todos os dias. Bastante caseiro mesmo. O público vem e temos como costume de sair do balcão e conversar com os clientes, para deixá-los sempre à vontade”, conta Débora Regina Santarelli Leitão, de 53 anos, comerciante. Ela é casada com José Manuel Gomes Leitão, 57 anos, filho do “Berinjela” – José Manuel, que herdou o apelido do pai.

A história começou em 1964, quando Manuel Gomes Leitão e Arminda da Conceição Gomes Leitão compraram o bar. Como era comerciante na feira, vendendo especialmente legumes, Manuel era conhecido como Berinjela – e usou o apelido para colocar como razão social do bar. “Naquela época, pratos como bacalhau e coelho eram os mais vendidos – bem característico da comida portuguesa”, comenta Leitão.

Manuel nasceu em Pombal, em Portugal, e o público do bar costumava ser seus amigos lusos. Em 1988, Manuel faleceu. Coube à Dona Arminda e à filha Teresa tocarem o bar – e para dar certo elas precisaram da ajuda do filho José Manuel. Até então ele trabalhava como engenheiro químico em uma indústria de plástico – a mesma empresa em que Débora trabalhava como secretária de compras. José Manuel e Débora já namoravam quando Dona Arminda pediu a ajuda ao filho; o casamento ocorreu em 1991. “Foi no Bar do Berinjela que fizemos nossas vidas, criamos nossos filhos”, conta ela. Eles são pais de Lívia, 25 anos, Caio, 23, e Kauê, de 11. Em 2012, Dona Arminda faleceu.

 

Em 2013, começou a reviravolta no mundo da Família Berinjela, com o Comida de Buteco, concurso que conta com votação popular das melhores comidas de boteco de cada cidade participante. E naquele ano, eles ganharam o 1º lugar com o Bolinho de Berinjela – que é o carro-chefe da casa, até hoje. “Foi aquela agitação. Mudou completamente o que era e o que passou a ser: éramos um negócio pequenino, só conhecido no bairro, e, a partir de então, ficamos conhecidos por toda a cidade. Vem gente de vários pontos de São Paulo para experimentar os bolinhos e às berinjelas parmigianas que o Berinjela faz”.

Em 2014, eles faturaram o 6º lugar no mesmo concurso com o Casadinho Lusitano e, em 2015, o vice-campeonato veio com a receita do Escondidinho, feito com duas rodelas de berinjela e dentro há abobrinha e azeitona fatiadas, tomate seco, mozarela, parmesão, manga e pimenta biquinho. Há, ainda, o Bolinho de Bacalhau, feito com lascas de bacalhau com massa de batata. “É diferenciado mesmo, o pessoal gosta por demais”, garante Débora. Todos os quitutes inspirados na história da família. Para quem quiser conferir o cardápio antes de ir até o Bar do Berinjela, basta acessar a página do empreendimento [www.bardoberinjela.com.br].

Débora ensina que a comida de boteco é também a comida que traz a história das famílias. “É possível comer algo gourmet, mas bem-feito, bem temperado. Bem com gosto de família mesmo”, pontua. Ela deseja, para 2019, aumentar e reformar a cozinha do Berinjela, que está pequena para a demanda do bar, hoje. “A ideia é servir melhor o público, ser mais rápido no atendimento e diminuir a fila de espera”, comenta ela. Hoje, trabalham no bar o próprio Berinjela, Débora, os filhos Lívia e Caio, Teresa (irmã de José Manuel), três cozinheiras e cinco garçons.

“Tem que ser trabalho em equipe, sempre”, ensina a comerciante.  Sem música ambiente e sem passar jogos, mas investindo na comida feita na hora, fresquinha e com muito amor, o Bar do Berinjela atrai muitas famílias e suas várias gerações – nessa gostosa experiência gustativa como se o cliente estivesse sempre em casa.

* Texto: Fernanda Patrocinio. Fotos: Agência Ophélia.

1 COMENTÁRIO

  1. Um dos bares mais antigos do Tatuapé….. a melhor caipirinha de maracujá que já tomei…. foi de Dna Arminda…. que está num ótimo lugar agora. Todo sucesso do mundo pra vc Zé e pra toda família Berinjela. Abç.

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