Admiração por Alcione, presidente da ONG Amigos do Bem

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“SE NÃO POSSO FAZER TUDO QUE DEVO, devo ao menos fazer tudo o que posso”. Este é o lema da ONG Amigos do Bem, criada em 1993 por Alcione Albanesi. Quem acredita que não é possível transformar o mundo, certamente pensará outra vez ao conhecer a história desta mulher.

Alcione é a cabeça da Amigos do Bem, instituição que atua no sertão do Nordeste transformando as vidas e os sonhos de cerca de 60 mil pessoas mensalmente. Os Amigos do Bem são referência no que fazem, e não estariam nos inspirando hoje se não fosse pela desenvoltura e atitude da sua líder.

 

Muito além do Papai Noel

Era época de Natal, em 1993, e Alcione se juntou com um grupo de 20 amigos, arrecadaram 1500 cestas básicas e levaram caminhões de Recife-PE, rumo aos povoados do sertão. “E vimos a realidade”, conta ela. “Quando chegamos, as pessoas não sabiam nem em que ano estávamos. As crianças se escondiam naquele mato seco, pois tinham medo. Nunca alguém havia ido até elas”.

Aquela viagem despertou algo em Alcione e seu grupo. A partir de então, por dez anos os amigos foram no Natal ao sertão. Chegaram a arrecadar 100 caminhões de cestas básicas e doações. Porém, Alcione sentiu que era preciso fazer mais.

A inspiração para ir além foi a história de Dona Geralda, uma senhora que, mesmo sofrendo de elefantíase, caminhava quilômetros em busca de comida. Vendo sua condição, Alcione e os amigos a levaram de carro para casa. Neste caminho, ela deu o que Alcione chama de receita da fome: muita água e pouco feijão para fazer o alimento render para toda a família.

Alcione soube ali que podia fazer mais por estas pessoas. Reuniu seus amigos e disse: “Nós estamos sendo Papai Noel, não podemos ser só isso. Nós temos que transformar essas vidas e nós podemos fazê-lo. ”

Nós temos que transformar essas vidas e nós podemos fazê-lo.

Alcione Albanesi

As Cidades do Bem

Desde então, o Amigos do Bem cresceu, comprou terras, mudou famílias das suas casas de barro para construções de alvenaria, fez cisternas e acesso a água, plantações de caju, fábricas, escolas, consultório e gerou emprego direto para 750 pessoas. Esses centros de infraestrutura são as Cidades do Bem, lozalizadas em 3 estados: Pernambuco (Buíque e Inajá), Alagoas (São José da Tapera) e Ceará (Mauriti).

O sonho é tornar as cidades autossustentáveis e levar ainda mais transformação. “As pessoas perguntam como eu posso ter segurança de que o projeto nunca vai acabar. Eles [os moradores] são os multiplicadores do bem. Hoje ainda depende de nós, mas estamos construindo projetos e desenvolvendo as pessoas de lá, que vão continuar escrevendo essa história”, conta ela. “Já podemos contar grandes histórias, as crianças que corriam no mato seco hoje estão indo para a faculdade”.

Multiplicadora do bem

Até hoje, Alcione passa dez dias de cada mês no sertão cuidando de perto das Cidades do Bem. O projeto também conta com cerca de 8 mil voluntários e a força dos moradores. Das lições que conta ter aprendido com estas pessoas, estão a resignação e a paciência: “Agradeço demais porque eles me ajudaram a me tornar uma pessoa melhor. Eles me fizeram ver o mundo, a sentir o ser humano e ver a minha vida de uma forma diferente”.

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